O encosto

Também conhecido por procrastinação. Aquela que te incentiva a fazer várias coisas úteis na sua vida tais como:

– jogar candy crush

– assistir todas as novelas da globo como se não tivesse uma pilha de livros te esperando

– dormir, tirar uma soneca, esticar a coluna, “ficar quietinha aqui só uns minutinhos e depois eu começo a (insira aqui algo de fato importante)”

– jogar candy crush

– olhar o facebook. E depois o instagram. E depois o twitter. E o facebook de novo.

– ver o vídeo da vez do Porta dos Fundos

– Whatsapp com seus mais de 14 grupos (3 dos quais as pessoas não calam a boca; 2 dos quais você tem vontade de sair, mas tem medo de bancar a chata antissocial)

– jogar candy crush (que desgraça na vida do ser humano, esses doces!)

– assistir aos episódios de Homeland (ainda estou: indignada/arrasada/devastada/multilada com o final da terceira temporada) ou qualquer outra série maravilhosa que só acrescenta assunto entre você e seus melhores amigos (como se não tivessem assunto suficiente)

– Olhar novamente o facebook e, ao encontrar compartilhamentos interessantes de pessoas que realmente estudam e fazem algo que contribua para o mundo, sentir-se mal pelas inúmeras coisas que você devia fazer e não faz.

– jogar candy crush para fazer a tristeza passar.

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Escrevi isso há alguns meses atrás. Acrescente ao lado do “jogar candy crush” jogar “perguntados”, “limbo” e “free fall”…

Fico aqui me perguntando por que eu comprei um 3DS, se meu celular já é distração suficiente…

 

Por fim, deixo uma música adorável, que representa um dos maiores motivos de procrastinação deste ser que vos fala:

Aviões

Você, que vai voltar naquele avião “tru” do exército (partindo do pressuposto de que deu tudo certo na ida), lembre-se desta obra-prima do incomparável Iron Maiden quando estiver voando:

Só não vale acreditar que o destino do seu avião é igual ao dos aviões do clipe.

Tarde demais. x/

Mal de Rebs a.k.a. ansiedade a.k.a. todo mundo sofre disso…

nao-nos-pressione-ansiedade

É fácil reconhecer quando sua ansiedade está em alta. Você começa catastrofizando todas as situações futuras, mesmo sem ter qualquer pista de que elas vão ser mal sucedidas. Você não sabe, mas seu cérebro insiste em dizer que tem todas as respostas, e pasme: nenhuma delas é positiva.

Você tem certeza de que sua cachorra vai morrer enquanto você está viajando, que o avião vai cair, que o trabalho vai dar errado, que o professor vai expulsar você da aula dele, que no fim de semana em que você vai estar trabalhando haverá a maior festa do universo, que na reunião da ONG vai ter confusão, que você vai, até o fim da sua vida, sentir a angústia eterna de um futuro que não vai acontecer, porque essa sensação é incurável.

Você pode ser simplesmente taxada de pessimista, mas a verdade é que não são apenas pensamentos ruins, mas pensamentos que viram emoções e que, por te deixarem mal, produzem um comportamento torto, compulsivo e beirando a depressão. E tudo isso por coisas que não aconteceram e provavelmente não vão acontecer.

Quando a razão aparece, você já está em processo de autodestruição. E a correção desses pensamentos demora a fazer efeito, fazer as emoções ruins passarem, fazer você se sentir bem novamente. É engraçado, porque elas chegam rapidinho… Mas para levantar voo, haja persistência.

Pareceu-me simplista demais colocar a origem desse transtorno psicológico no avanço da tecnologia e na obrigatoriedade que temos hoje de acompanhar a velocidade das informações. É a primeira coisa que me vem à mente, e eu geralmente desconfio desses pensamentos instantâneos. Fui até o amigo Google e descobri que a resposta imediata estava de fato errada. Vejamos:

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Saber lidar com as preocupações se tornou uma característica desejada, porque a ansiedade foi relegada ao posto de vilã do mundo moderno. Apesar de ser essencial para a sobrevivência, ela ganhou o estigma de atrapalhar as relações pessoais, a competência no trabalho e todo tipo de situação delicada. […] É muito comum, aliás, as pessoas reclamarem que são ansiosas demais e os especialistas chamarem os nossos tempos de “era da ansiedade”.

Mas essa noção de que vivemos numa época especialmente estressante é coisa ultrapassada, na verdade. A idéia de “era da ansiedade” nasceu antes da internet e do computador. Apareceu pela primeira vez em 1947, num poema do inglês Wystan Hugh Auden, que, desiludido com a humanidade depois da 2ª Guerra Mundial, criticou o homem e sua busca sem sentido por significado.  […]

“É impossível dizer que somos mais preocupados hoje em dia, porque não tínhamos tantos indicadores antigamente. E não podemos nos esquecer que vivemos hoje num tempo onde a psicologia e a psiquiatria têm um papel muito importante”, diz o professor de sociologia da Universidade de Kent, Iain Wilkinson, que também escreveu um livro sobre o assunto. Antes da ascensão da psicologia, no começo do século 20, ninguém tinha o hábito de pensar em seus problemas mentais e todos os distúrbios espirituais eram tratados como doença. […] 

“Enquanto que na Antiguidade, a ansiedade surgia de fatores externos, como doenças e catástrofes naturais, a dos nossos tempos é imposta por nós mesmos. Podemos até chamála de ansiedade neurótica”, diz Christian Perring, professor de filosofia da Universidade Dowling em Nova York, que estuda a relação entre filosofia e psiquiatria. Os fatores que mais causam preocupação atualmente são coisas muito menos tangíveis, como satisfação no emprego, realização amorosa, visual perfeito. Como nossos antepassados ainda estavam ocupados em sobreviver, dificilmente tinham as crises e neuroses que temos agora. De fato, boa parte das nossas apreensões vem das milhares de possibilidades de escolha que temos hoje em dia.

As opções são muitas. Se no século 18, havia apenas 20 empregos diferentes nos quais uma pessoa podia fazer carreira, hoje esse número já passa dos 20 mil – e continua aumentando. O tempo que cada trabalhador passa num emprego também não pára de diminuir. O Ministério do Trabalho dos EUA calcula que um empregado vá passar por 10 a 14 cargos diferentes antes dos 40 anos. O número de divórcios aumentou 13 vezes em 3 décadas. Esses dados são impressionantes, se lembramos que antigamente casamento e emprego duravam muito mais, se não a vida inteira. “Vivemos a ideologia da escolha, somos donos da nossa própria vida e só dependemos de nós mesmos para encontrar a felicidade. Essa idéia de liberdade é atual e causa muita ansiedade”, diz Renata Salecl, da London School of Economics.  

[trecho de reportagem da revista Superinteressante, que pode ser encontrado aqui  – vale a pena ler!]

Mas eu não estava tão errada assim, na mesma reportagem encontrei isso:

A velocidade com que a informação viaja o mundo é algo muito recente, com o qual os seres humanos ainda não sabem lidar – e muito menos aprenderam a filtrar. Já foram cunhados até alguns termos para definir a ansiedade trazida pelos novos meios de comunicação: technologyrelated anxiety (ansiedade que surge quando o computador trava, que afeta 50% dos trabalhadores americanos), ringxiety (impressão de que o seu celular está tocando o tempo todo) e a ansiedade de estar desconectado da internet e não saber o que acontece no mundo, que já contaminou 68% dos americanos.

E a tendência é só piorar. De acordo com Richard Saul Wurman, em seu livro Ansiedade de Informação, uma edição de domingo do jornal The New York Times tem cerca de 12 milhões de palavras e contém mais informação do que aquela que um cidadão do século 17 recebia ao longo de toda a vida. A capacidade de computação mundial aumentou 8 mil vezes nos últimos 40 anos. Com esse ritmo, especialistas calculam que produzimos mais informação na última década do que nos 5 mil anos anteriores. E todo esse acúmulo causa ansiedade. “Nós não fomos desenhados pela evolução para lidar com tanta informação”, diz Christian Perring.

***

No final, você e metade do planeta sofrem do mesmo mal, ou seja, isso não te faz nem um pouco especial, mas ignorar essa condição vai te manter na mesma inércia que consome suas energias e te impede de trilhar um novo caminho. Quem sofre sabe como é difícil combater a ansiedade generalizada, mas ler sobre o tema e saber como teu cérebro funciona são coisas que podem te ajudar.

No mais, vou ver se consigo parar com o mal de Rebs, ao menos por hoje, e aproveitar o tempo que me resta antes da viagem que supostamente vai me matar.