O encosto

Também conhecido por procrastinação. Aquela que te incentiva a fazer várias coisas úteis na sua vida tais como:

– jogar candy crush

– assistir todas as novelas da globo como se não tivesse uma pilha de livros te esperando

– dormir, tirar uma soneca, esticar a coluna, “ficar quietinha aqui só uns minutinhos e depois eu começo a (insira aqui algo de fato importante)”

– jogar candy crush

– olhar o facebook. E depois o instagram. E depois o twitter. E o facebook de novo.

– ver o vídeo da vez do Porta dos Fundos

– Whatsapp com seus mais de 14 grupos (3 dos quais as pessoas não calam a boca; 2 dos quais você tem vontade de sair, mas tem medo de bancar a chata antissocial)

– jogar candy crush (que desgraça na vida do ser humano, esses doces!)

– assistir aos episódios de Homeland (ainda estou: indignada/arrasada/devastada/multilada com o final da terceira temporada) ou qualquer outra série maravilhosa que só acrescenta assunto entre você e seus melhores amigos (como se não tivessem assunto suficiente)

– Olhar novamente o facebook e, ao encontrar compartilhamentos interessantes de pessoas que realmente estudam e fazem algo que contribua para o mundo, sentir-se mal pelas inúmeras coisas que você devia fazer e não faz.

– jogar candy crush para fazer a tristeza passar.

***

Escrevi isso há alguns meses atrás. Acrescente ao lado do “jogar candy crush” jogar “perguntados”, “limbo” e “free fall”…

Fico aqui me perguntando por que eu comprei um 3DS, se meu celular já é distração suficiente…

 

Por fim, deixo uma música adorável, que representa um dos maiores motivos de procrastinação deste ser que vos fala:

Linha 512

Saiu do prédio onde trabalhava e caminhou calmamente até a parada de ônibus. O dia estava quente, como de costume, mas o sol se escondia entre as nuvens cinzas. Uma promessa de chuva para mais tarde…

Em menos de um minuto chegou à parada. Pensou na ironia que era o fato de que ela andava poucos passos para esperar o ônibus e andava praticamente um quilômetro para chegar ao seu carro, que antes ficava parado em um estacionamento gigante, junto a inúmeros outros.

Assustava-se com a preferência da maioria das pessoas por ter um carro. Dirigir no engarrafamento, procurar vaga em estacionamento lotado, o valor da gasolina, havia vários outros motivos que superavam o conforto de ter um meio de locomoção com ar condicionado… Mas esta era apenas a sua opinião.

Seu ônibus não demorou muito. Subiu no 512 e o encontrou quase vazio. Normal para o horário.  Sentou-se bem ao fundo, ao lado da janela. A brisa quente e abafada que tocou seu rosto quando o veículo entrou em movimento fez com que ela fechasse os olhos e aproveitasse a viagem.

Vender o carro foi a melhor coisa a fazer, disso ela não se arrependia. Gostava daquele momento em que era expectadora da vida. Ficava observando as pessoas nas ruas, ou os demais passageiros que conversavam ou se preocupavam com a própria vida.

Abriu os olhos e viu um garoto e uma garota sentados lado a lado no banco da frente. Não pareciam ter mais de 19 anos… Deviam estar voltando da faculdade, pois seguravam livros e cadernos. Prestou atenção à conversa:

– Qual o nome do curso que você está fazendo, mesmo?

– Ciências Sociais.

– Acredita que nunca tinha ouvido falar? Parece maravilhoso.

– E é.

– Você me empresta esse livro do Durkheim? Queria saber mais sobre as ideias dele.

– Leva. Mas devolve! Tu vais curtir.

– Prometo.

– Devolver ou curtir?

– Os dois. Olha como é chato o que eu tenho que estudar… Francamente, meu curso não é nada animador…  Fontes… Nada a ver…

– Tem a ver sim! Essa parte é importante… Tudo é importante…

– Queria ler Harry Potter. Será que vai demorar muito para lançarem o novo livro?

– Vixe, tu gosta dessas coisas, é?

– Você já leu?

– Vi os filmes. Os dois primeiro só. Bobinho…

– Não é a mesma coisa que ler os livros.

– Tu vai gostar mais de Durkheim, aposto.

– Duvido muito.

– Ah, então esse papinho de que o que eu estudo é legal só é empolgação, né? Não há nada melhor que Harry Potter…

– Não foi isso que eu quis dizer. Eu só… Eu não tenho como dizer qual o melhor se só li um dos concorrentes!

– Essa literatura fantasiosa não tá com nada… Coisa de criança. Tu tá na faculdade, francamente…

– Ei! Eu a-ca-bei de entrar na faculdade. E não é pra criança… Meu irmão é 9 anos mais velho que eu e adora.

– Deve ser bitolado que nem tu…

– Bitolado?!

– É. Esse mundinho aí de mentiras…

– Han? Como assim? Para de rir!

– Mas é engraçado, pô…

– O que é engraçado?

– Tu aí com esse teu cabelo verde e esse discurso de gostar de Durkheim. Não é coerente com o que tu és.

– E o que você sabe sobre mim? A gente mal se conhece…

– Sei o colégio de onde tu veio. Aquele de riquinho… Gente diferenciada…

– Ai, me poupe! Não tenho nada a ver com aquelas pessoas… Não é à toa que…

– Que o quê? Que o teu cabelo é colorido? Quer mostrar o quanto tu não pertence a esse mundo do qual tu veio? Não adianta nada se as tuas ideias continuam as mesmas…

– Eu tenho que parar de gostar de Harry Potter, então?

– Claro que não! Admito, isso também é legal. Mas olha em volta. Não te parece interessante tudo o que acontece agora?

– Parece tudo muito normal… Pessoas trabalhando, indo ou voltando da escola, conversando ou discutindo, uma certa criminalidade rolando…

– O crime é normal! Tu já sabe mais sobre Durkheim do que tu imagina!

– Sério? Tá vendo? Não preencho o estereótipo dos alunos do CEAM…

– Pode ser que não…

– E você? Está generalizando ao dizer que todo mundo do CEAM é bitolado só porque é “escola de riquinho”. Isso também não é ser bitolado?

– Provavelmente. Todo mundo é bitolado.

– Bela conclusão… Ah, não, olha só! Um gatinho atravessando a rua…

– Vai virar pastel…

– Não fala isso!

– Leva ele pra casa…

– Já tenho três. Se eu aparecer com mais um, sou expulsa de casa… Ufa, atravessou! Muita sorte… Ai, odeio ver animais de rua.

– E gente?

– Gente? Gente também… Mas pelo menos uma pessoa sabe atravessar a rua… Mas realmente… Vi um menino crescer nas ruas, ele fica lá perto de casa… Perdeu a infância pedindo dinheiro nos sinais… Iguais a ele tem tantos… Talvez seja por isso que às vezes, fugir para um mundo de fantasia seja tão tentador…

– É. Eu te entendo.

– Há dois segundos atrás, tava me criticando… Diria até que me ofendendo…

– Deixa disso, tava só brincando.

– Você gosta de ser polêmico, nunca vi.

– Só gosto do debate.

– Nunca gostei de debates…

– Por que não?

– Não sei… Acho que nunca sei o que responder.

– Sabe sim. Acabou de participar de um.

– Isso não valeu…

A buzina do ônibus fez a expectadora piscar algumas vezes e olhar em volta: o ônibus estava lotado e ela já teria que descer daqui a duas paradas. Ao levantar e caminhar em direção à saída, ela mirou o banco a sua frente e viu uma senhora idosa recebendo de sua provável neta um tutorial de como mexer em um smart phone. Os jovens tagarelas já tinham saído daquele ônibus há muito tempo.

Lá vou eu…

Quando eu acho que estou alienada do mundo por viver na minha bolhinha trabalho-balé-meuquarto, eis que o rei do camarote chega e surpreende todo mundo dizendo que já transou com uma mulher…

Depois de ver esse vídeo, acho que falar de novelas ou do quanto você está angustiada é quase tão inteligente quanto falar sobre Hegel.

Ok, é um exagero. Mas vai dizer que você não se achou inteligente e privilegiado por não ser alienado como esse cara, que vê felicidade em uma garrafa de champanhe amarrada numa vela de fooogooo. Fez bem pro ego, né?

Volta pra realidade, meu filho, e aproveita que você tem um pouco mais de noção pra criar vergonha na cara e ler aquela penca de livros que você comprou mês passado. Ou ao menos faça com esmero a sua tarefa de espanhol, leva só 15 minutos. Já é lucro!

Tentando seguir a própria dica para tentar agregar um pouco de valor ao meu dia (não resisti!), abri o app do Ted Talks e escolhi uma palestra cujo nome me chamou a atenção. Fiquei feliz em saber que o que ela fala tem uma certa semelhança com o que eu escrevi no post anterior, o do macarrão instantâneo. Até que eu não ando mal de interpretação. Essa inspiração, quando vem… Aaai, é uma benção!

Codicilo

codicilo

Codicilo ou pequeno codex é um documento que encerra certas disposições de última vontade, tais como estipulações sobre os funerais, esmolas de pouca monta, assim como destinação de móveis, roupas ou jóias, de pouco valor (wiki)

Toda vez antes de uma viagem, eu digo que vou fazer um, mas nunca faço. Que bom que até agora ele não foi necessário.

Como tenho fé de que vou retornar de viagem sã e salva, vou começar aos poucos, pra não cansar:

– Minha coleção de livros e todos os cacarecos que tenho de Harry Potter vão para o meu sobrinho Daniel.

– Todos os meus livros devem ser doados, mas Rodrigo e amigos tem prioridade e podem pegar o que quiserem.

Ok, escrevi dois itens e já achei mórbido demais. Podemos parar por aqui. Foi mal, pessoal…

Interiorando

tefe

Tefé é um município brasileiro do interior do Estado do Amazinas. Pertencente à Mesorregião do Centro Amazonense e Microregião de mesmo nome, sua população, de acordo com estimativas do IBGE em 2012, era de 61000 habitantes. Sua área territorial é de 23.808 km, sendo o quadragésimo oitavo maior município do Brasil em área e o vigésimo terceiro do Amazonas. (wikipedia)

 

Tentar aproveitar a viagem ao interior para encontrar meu interior. Aquele que não pira e que eu perdi faz tempo… =)

Vamos ter fé que vou voltar de Tefé.

Que ridículo… Parei.

 

Vou trazer castanha pra todo mundo!

 

Começa e não termina…

Agora que eu criei o blog e tenho que publicar coisas no bendito, os textos que comecei a escrever não consigo acabar…

 contos inacabados

Antes de materializar o blog, bateu uma inspiração maluca que me rendeu milhares de ideias para posts geniais. Estranhamente, todas essas ideias morreram e as que estão surgindo tão igual esse livro do Tolkien…

É comum esse tipo de coisa acontecer. Você fica pilhada pra fazer A, mas quando começa já está pensando em B, C, D e E. Sem a menor vergonha na cara, você para A e fala: “peraí rapidinho que vou fazer B. Depois termino esse A, que por sinal já está chato”. História da minha vida.

Agora mesmo, em vez de escrever esse post até o fim, fui lá na cozinha e comi um despretensioso pastel.

Algumas outras evidências:

*** Não paro de comprar livros, 90% dos que eu tenho, não li (ainda!).

Quando estava estudando pra concurso público, eu arrumava os livros, ligava o ar condicionado, a luminária, sentava na cadeira, abria o vade mecum, lia dois artigos… E ia lá na cozinha beber água, porque de repente tinha dado uma sede danada.

Tenho que ir lá na casa do chapéu buscar uma xerox para alguma coisa importante que pode me ajudar a ser alguém na vida. Mas esse sol tá quente e é difícil estacionar. Além disso, o sol hoje está de matar e eu já falei que estacionar lá é mais difícil que a fase 149 do candy crush? Amanhã… Amanhã será um dia melhor pra cumprir essa missão…

***

Ansiedade, procrastinação, preguiça, compulsão. Essa irmandade acaba com a sua vida! Você vira especialista em criar projetos, mas não consegue concluir nenhum. Como neutralizar esses males e passar de fase até chegar no chefão?

Não sei.  Aliás, esta é uma das coisas que pretendo descobrir, com pressa. Mas antes, vou tomar o sorvete que tem no congelador. O calor hoje tá imperdoável…

 

 

*esse post ficou uma droga perto do primeiro que eu escrevi, mas não consegui postar (e salvar). Além do bloqueio mental, tenho que combater uma internet troll.

Alô, alô?! Planeta Terra chamando…

Er… Por onde começar?

Meu nome é Júlia Nascimento Saldanha, tenho 32 anos, sou libriana, nutricionista e adoro escrever.

Mentira.

Esse não é meu nome, nem minha idade, nem meu signo, tampouco minha profissão. Por outro lado, eu realmente adoro escrever. E por isso criei um blog.

Já escrevi fanfics que só minha melhor amiga leu (ainda bem!), estórias que eu já esqueci, diálogos que não aconteceram, reflexões que ninguém nunca ouviu, mas isso faz muito tempo. Não sei calcular com precisão, mas já faz anos que eu perdi o incrível hábito de escrever e esta é uma tentativa de recomeçar essa coisa linda que é brincar com as palavras.

Mas o principal motivo mesmo é para me manter sã.

Apesar da penca de blogs de meninas loucas que fazem sorteios de shampoo de supermercado e rimeis de farmácia, ou aquela última que vi que fez um vídeo ensinando azamiga a pronunciar o nome das marcas famosas (diva!).

Apesar de saber que há blogs mais úteis como os de maternagem  (olha o jabá!) e aqueles com tutorial de maquiagem para pessoas que tem inúmeras sombras, mas não sabe usá-las (eu).

Apesar de ver que muitos levantam bandeiras importantes e trazem a realidade do nosso país de uma forma simples e eficiente.

Este aqui é um cantinho do despejo. De tudo o que eu estiver a fim de dizer. Pode ser que ele tome outras formas no futuro… Mas isso só saberei com o tempo.

Quem quiser, chega aí.

E não, não sei por que escrevi a mentirinha do começo. Já dá pra sentir o nível do dadaísmo…