2.6

Quando estou me acostumando com determinado número, chega o dia 11 de dezembro e eu tenho que me acostumar novamente com a minha nova idade.

Quando criança, uma pessoa de 26 anos era, na minha limitada visão e aguçada imaginação, um adulto sábio, completo, que sabia o que queria e fazia o que queria. Achava que ao chegar aos 18 eu começaria a caminhar nessa direção e, aos poucos, iria adquirindo todas essas qualidades. Daqui do mundinho fácil mediano, cheguei aos 18 me sentindo tão adolescente quanto aos 15. Aos 21, a fase adulta se resumia a festas, festas e mais festas, uma energia para aproveitar a vida e se divertir sem restrições. Era ser adolescente com privilégios. O tempo foi passando, a vida foi passando, e eu continuei esperando. Ao fazer 25, pensei no peso que representava o “um quarto de um século” e passei a me questionar por que aquela ideia que eu tinha quando criança estava se revelando tão falha. Cheguei aos 26 e vejo um ser que muda, mas que está longe, muito longe do que eu tinha em mente.

Não houve nenhum “start” depois que me formei, tampouco depois que fiz a pós-graduação, e também não acho que nenhum botão no controle da vida vai ser pressionado quando eu sair de casa. É tudo muito contínuo, essa ideia de “minha vida muda a partir de tal fato” é uma ilusão que só funciona nos livros e nos filmes… Começamos a andar e a paisagem vai passando, não temos que esperar o anoitecer ou o amanhecer para ser tal coisa.

Ao olhar o mundo dos adultos, no qual, sem perceber, eu já estou inserida há algum tempo, pude concluir superficialmente que somos todos crianças grandes. Só que alguém achou que ser adulto era sinônimo de uma grande coisa e acabou que o adulto ganhou uma moral que ele não tem. Isso tudo na minha cabeça.

Nunca foi assim, Rebs.

Vejo um mundo de adultos inseguros e aflitos, tal como uma criança em seu primeiro dia de aula. Vejo adultos que se vangloriam por ter o carro mais caro, tal como o coleguinha rico que tem o carrinho de controle remoto e se acha melhor que os demais por isso. Vejo adultos com carreiras profissionais definidas, mas que se encontram tão perdidos na própria vida quanto uma criança perdida dos pais no supermercado. Já vi gente grande soluçando igual a uma criança que perdeu seu brinquedo preferido porque seu melhor amigo canino morreu (minha vez ainda vai chegar e eu não estou preparada para isso). Vejo homens e mulheres se casando para logo em seguida se separar, como se fosse uma brincadeira de Barbie. Vejos pessoas próximas fazendo coisas tão estúpidas e inconsequentes quanto uma criança que não sabe os perigos de atravessar uma rua movimentada. Todos os dias vejo meus modelos ideais dissolvendo-se em seres humanos cheios de falhas, que às vezes morrem sem sequer chegar perto do que eu imaginava que seria…

Vemos os nossos pais e os pais dos nossos amigos, assim como nossos familiares mais velhos, não mais como seres superiores e sabedores da verdade absoluta, mas como iguais seres humanos, cuja opinião às vezes te choca de tão absurda. O avô racista, a vovó homofóbica, a tia e o tio machistas e o bom e velho primo que fura a fila do caixa e adora falar que “bandido bom é bandido morto!”. Você vê amigos seus fazendo escolhas erradas, ou não fazendo escolha nenhuma, achando que depois disso a vida deles vai se resolver, mas na verdade entram em um ciclo vicioso de sabotagem e ficam reféns dos resultados. E ah! Aquele professor do colégio, que além de te ensinar a escrever, calcular e entender o funcionamento do corpo humano, era referência de pessoa inteligente e sábia… Mas que hoje, quando escreve algo no facebook, demonstra que estagnou no tempo e possui a opinião de alguém que nunca saiu da caixinha…

Sei que muita gente pode ter percebido isso antes dos 26, assim como tem gente que nunca parou para pensar nisso. Mas que bom que a ficha caiu pra mim. Parece que fui míope a vida inteira e só agora meus óculos ficaram prontos. As coisas estão mais nítidas.

Ressalto que falo isso daqui de onde eu estou… O que é nada diante de todo o resto do mundo. Apenas uma mera observação…

=)

Ainda assim, vou postar!

Ano passado resolvi assistir ao X Factor, apenas para me irritar com aquele cantor de country arroz com feijão ganhando no lugar da Carly Rose. E sim, é o vídeo dela que eu vou postar, aquele batido do teste em que ela canta Nina Simone. Imagino a expressão de tédio do Rodrigo ao ler esse post, mas né? O blog é meu…

Toda vez que vejo esse vídeo fico emocionada. Sou lesa mesmo, mas é que a menina me conquistou…

http://www.youtube.com/watch?v=Ej04VAktzyE

O vídeo completo é mais legal, aí já mostra ela direto cantando… Recomendo também a apresentação dela cantando “Somewhere over the rainbow”. Apenas amo.

Melhor que ela, só a Susan Boyle cantando a música do “Les miserables”. Fica para a próxima…

O sonho

Estava eu andando nas ruas de Paris (!) quando, de repente, várias pessoas conhecidas vão surgindo de lugar nenhum e muitas coisas acontecem: era dia e rapidamente anoitece, eu estava em meio a um jardim gigante e agora estou perto de um rio, em um lugar com ruas de pedra e alguns becos. Vivos e mortos caminham juntos pelas ruas, confiantes na amizade recíproca que supera todas as barreiras; algumas pessoas estão sem camisa, outras estão correndo como se fugissem de algo, mas nada as persegue. Existe um certo tom de libertinagem no ar, mas o silêncio impede que eu deduza algo além disso.

Um encontro de almas chama a minha atenção e eu apenas observo a cena. Ao se aproximarem, a troca de olhares diz mais que qualquer palavra, seguida por mãos dadas e uma pressa enorme para se pertencerem, de modo que correm na direção da escuridão, deixando as sombras por último. Percebo então que estou sozinha, mas que tenho algo em minhas mãos: uma agenda velha, de minha propriedade. Começo a folhear as páginas e encontro diversos comentários a respeito do que eu escrevi ali. Emocionada, começo a chorar e a rir ao mesmo tempo, torcendo para que os dois que sumiram juntos nunca mais larguem a mão um do outro.

(Para quem não sonhava há meses, exceto por um sonho esquisito em que eu comprava maquiagens em uma loja bizarra, cheia de espelhos, este valeu por todo o tempo em que fiquei no escuro).

A mais feliz aspirante à bailarina amadora do corpo de dança

Vai chegando dezembro e a escola de dança que me tirou do ócio e da debilidade física sempre faz uma apresentação muito bonita, como forma de mostrar nosso desempenho ao fim de cada ano. O objetivo principal são as mini bailarinas, a atração mais esperada pelos pais babões. Além delas, tem as empolgadas que se acham bailarinas e outras que realmente são (enquadro-me no primeiro grupo). Será o terceiro ano que eu vou lá me exibir, como se eu fosse a Ana Botafogo ou similar. A primeira vez eu nem conto, porque foi tudo meio que “nas coxas”, eu realmente dancei mal e não me senti parte do processo. Mas ano passado foi mágico  (não errei, não caí!) e, por mais que esse ano eu estivesse totalmente desmotivada, não teve jeito: as músicas, as coreografias e todo mundo participando, tudo me contagiou… Não vou participar de todas as partes, tive que me impor alguns limites, mas é sempre um desafio fazer um grand plié sem tremer feito vara verde (ou sem desabar) na frente de uma centena de pessoas… Para quem inventou essa sandice de dançar depois de velha, é apavorante! E, ao mesmo tempo, libertador!

A energia é tamanha que eu nem me lembro que dezembro é o meu aniversário, mas apenas que dia 7 é o grande dia do espetáculo.

Ah! Este ano é A Bela e a Fera. Coloco aqui a parte mais legal:

Lá vou eu…

Quando eu acho que estou alienada do mundo por viver na minha bolhinha trabalho-balé-meuquarto, eis que o rei do camarote chega e surpreende todo mundo dizendo que já transou com uma mulher…

Depois de ver esse vídeo, acho que falar de novelas ou do quanto você está angustiada é quase tão inteligente quanto falar sobre Hegel.

Ok, é um exagero. Mas vai dizer que você não se achou inteligente e privilegiado por não ser alienado como esse cara, que vê felicidade em uma garrafa de champanhe amarrada numa vela de fooogooo. Fez bem pro ego, né?

Volta pra realidade, meu filho, e aproveita que você tem um pouco mais de noção pra criar vergonha na cara e ler aquela penca de livros que você comprou mês passado. Ou ao menos faça com esmero a sua tarefa de espanhol, leva só 15 minutos. Já é lucro!

Tentando seguir a própria dica para tentar agregar um pouco de valor ao meu dia (não resisti!), abri o app do Ted Talks e escolhi uma palestra cujo nome me chamou a atenção. Fiquei feliz em saber que o que ela fala tem uma certa semelhança com o que eu escrevi no post anterior, o do macarrão instantâneo. Até que eu não ando mal de interpretação. Essa inspiração, quando vem… Aaai, é uma benção!